O poder dos Média na criação e perpetuação dos estereótipos de género

A TV, a Rádio, o Cinema, a Música e os Vídeoclips, os Jornais e Revistas e a Publicidade têm um poder imenso sobre todas as pessoas: são agentes de mudança e de craição de novas necessidades mas também criam, divulgam e perpetuam estereótipos comportamentais. Frequentemente, estas mensagens são tão habituais que nem nos apercebemos delas…Os Média podem fazer veicular estas mensagens através da forma e do conteúdo. A forma corresponde ao exterior, ao que é manifestado e entendido de forma a ter acesso ao sentido da mensagem. Exemplo recente de publicidade apelativa, mas que vende o corpo feminino com o pretexto de vender um produto é a Super Bock:

A Pedras Salgadas segue tal comportamento de muito perto com vídeo que, no mínimo, se pode catalogar como sendo muito desadequado. Pode ver o vídeo aqui.

As marcas de roupa, de perfumes, os produtos de limpeza não fogem à regra….

No que diz respeito aos conteúdos veiculados pelos Média, os estudos revelam que os homens suplantam as mulheres em termos de exposição televisiva. Refira-se ainda que a maioria dos/as especialistas e porta-vozes na TV e na Rádio são homens e, mesmo quando as mulheres estão representadas, o tempo disponível para falar ou expor opiniões é sobretudo masculino. Os espaços reservados a cada um dos sexos parecem também estar definidos à priori. Já reparaste que é comum aparecerem muitas mulheres a apresentar programas para crianças e jovens mas que é raro aparecer uma mulher a apresentar um programa desportivo?
Existem também evidências de que as mulheres e os homens são representados de forma qualitativamente distinta na TV: é mais provável que as mulheres sejam apresentadas como sendo mais novas, casadas e a efectuarem trabalhos não-remunerados do que os homens. É também mais provável que as mulheres sejam mais frequentemente apresentadas como vítimas de violência e que o tema seja tratado de forma mais sensacionalista. Por outro lado, quando apresentadas como especialistas, as mulheres tendem a ser tratadas de uma forma menos formal do que os homens.
Se analisarmos as telenovelas portuguesas e brasileiras e o Cinema verificamos ainda que os valores relacionais da família tradicional e da maternidade continuam a ser reafirmados quase sem questionamento. Por outro lado, quando as mulheres são apresentadas como bem sucedidas na vida profissional, normalmente também são apresentadas como menos bem sucedidas na vida pessoal.
Nas Revistas e Jornais surgem, de há algum tempo para cá, definições menos rígidas de feminilidade e é mais provável que as mulheres sejam caracterizadas como assertivas, confiantes e ambiciosas do que como “esposa/mãe/dona de casa”. Considera-se que esta alteração se fica a dever ao facto das mulheres se terem tornado um dos segmentos preferenciais de mercado e esta “liberdade” expressa nas revistas e jornais é sobretudo encarada como uma liberdade para consumir…
No entanto, se olharmos mais atentamente verificamos que a ênfase das revistas se mantém num estilo de vida centrado no consumo, beleza e relacionamentos interpessoais…
Este problema é tão mais grave quando nos apercebemos que os estudos indicam que apesar de ligeiras alterações, as mulheres tendem a ser apresentadas da mesma forma estereotipada que há cerca de 20 anos atrás!!!
Para quando uma mudança significativa nestá área?????

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